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sábado, 4 de julho de 2015

A outra metade excêntrica da laranja



A verdade é que não existe o encaixe perfeito.
Aliás, serei mais direta: a PERFEIÇÃO é uma farsa.
Você vai passar grande parte do seu tempo tentando ser perfeita para algo { se você pensou somente no assunto "amor", sinto muito, mas você precisa se tratar} e no final vai descobrir que no caixão só cabe um corpo. O sofrimento é individual porque a forma de viver é individualista, meu bem. Digamos que para os mais otimistas teremos as flores, para os sortudos teremos um enterro cheio de gente e para os ricos teremos um belo caixão, mas se você não é otimista, não acredita em sorte e não possui um tostão furado, sinto muito, mas o teu caminho é a solidão escancarada daquelas que não viram fofoca porque não tiveram sequer a presença dos maus vizinhos. Vou saindo de mansinho pois já sinto os olhares tortos e críticos para cima de mim, mas antes vos digo: mais vale morrer só na verdade do que embebido na pior da companhias.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Diário de bordo do futuro


Foi fugindo de um problema que eu me tornei a solução de alguém e foi tentando me esconder que eu me tornei o "centro das atenções"! Vai entender essa vida e essas pessoas...Era para ser só um café (eu bebi um suco de limão sem açúcar pra combinar com a ocasião) e acabou terminando em um encontro com continuação. Essa viagem não poderia girar em torno de um romance, mas quem limita a vida? Quem escolhe as páginas? Eu não estava apaixonada, nem envolvida, isso bastava para me permitir um repeteco daquilo. Não era nada obrigatório e nem explicito, ele fingia não me querer no meio de tantas outras e eu fingia que o desejo dele não me afetava, era perfeito. Eu estava buscando por mudanças e bem, a antiga "Beatriz" jamais faria isso. Meus pés estavam tão grudados no chão que eu queria me permitir voar e sair um pouco da jaula. Fui conhecer uma praia mais vazia no meio daquela confusão que era Itacaré, se bem que considerando o movimento das praias que eu frequentava em Salvador, aquilo não era nada. A melhor coisa de morar em um lugar novo é que ninguém te conhece e tudo pra você é novidade, a pior é que ninguém te conhece e você para os outros é sempre novidade. As vezes eu sentia que as pessoas estavam esperando que eu pisasse na bola pelo menos uma vez, esperando que eu dormisse com o chefe - não que ele não tenha tentado-, esperando que a policia me prendesse por tráfico de drogas ou algo do tipo. A verdade é que as pessoa levam uma vida tão monótona que dependem da desgraça dos outros para movimentar as suas e no momento atual eu era a vitima perfeita.

Diário de bordo do futuro (Parte III)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Nos tal -d-gia


As minhas melhores histórias ainda são projetadas com você. Noite passada eu sonhei que você voltava, mas dessa vez foi tão real que eu acordei chorando, sentindo na flor da pele o teu toque manso de perdão. Eu te perdoei por quase tudo, só não te perdoo por ter me deixado pela metade, poderia ter tido o mínimo de consideração pela minha integridade e ter deixado a parte de mim que ainda sentia. Olha só, nos últimos anos eu tenho quebrado alguns corações, mas nenhum deles quis entender o motivo e o culpado é você, sim é você, que me fazia dormir com a voz rouca ao telefone, que me ligava no meio da tarde só para saber se estava tudo bem, que aparecia de surpresa com flores, você que sabia meu calendário emocional e quando foi, foi sabendo que era a pior hora, foi sabendo que eu já estava no ritmo das batidas do seu coração. Desplugou os cabos sem aviso prévio causando um curto circuito nas minhas veias. Você é tão egoísta, é aquele verdadeiro “nem fode e nem saí de cima” deixei de gozar outros amores, não pela falta de tentativas,pode apostar, e se tem algo que me consome é essa minha mania tosca de não sentir raiva de você. Toda noite antes de dormir eu peço baixinho: "Meu Deus, não me deixe sonhar com ele de novo" porque acordar e não sentir você e nem sentir raiva de você só desperta a saudade e é essa saldade que aumenta minha pressão 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Diário de bordo do futuro


Você quer ser perseguida por um cara? Tente livrar-se dele! Isso eu aprendi aos 15 anos, mas nada que mais 10 anos de estrada não me confirmassem. Seguia os dias como se fossem o primeiro e eu nunca deixava de ser novidade para os homens e para as mulheres, todos queriam saber porque eu cheguei sozinha, sem muita bagagem. Diziam que eu era bonita demais para trabalhar com o pessoal da limpeza, contudo, eu não queria aparecer, não queria que reparassem em mim ou que me reconhecessem do jornal. Ligava para casa de 3 em 3 dias e já tinha até amigos, aos poucos eu estava reconstruindo o prédio que havia sido derrubado pela morte do meu pequeno. Ninguém queria confiar completamente em mim porque eu falava pouco sobre o passado e menos ainda sobre o futuro, o presente era meu ápice- tudo bem, não estava procurando pela confiança de ninguém já que não confiaria neles também- mas alguns homens são a peça perfeita de um quebra cabeça que não lhe apetece, alguns tem senso de problema, rastro de perdição, querem fazer parte de uma história que não é pra ser contada e foi um desses que resolveu descobrir sobre mim, foi um desses que resolveu me chamar para um café e eu? Eu odeio café, mas diga "não" a um homem decido em te ter e você se tornará sua obsessão secreta ou sua inimiga mortal e eu não queria ser nem um, nem outro. Aceitei beber o café, mas a vida é sempre novidade até quando vira museu e você só encontra um problema quando tenta fugir de outro.

                                                                                                                                                    -   Diário de bordo do futuro (Parte II)
Diário de bordo do futuro (Parte I)

sábado, 17 de janeiro de 2015

Codinome, cor diz nome e comportamento também!


Fiquei de pé em meu salto e senti que faltava algo, algo que não estava sendo refletido pelo espelho, algo que meu reflexo não dizia, reparei nas minhas roupas milimetricamente controladas para manter a minha moral. Depois de um dia fodido tudo o que eu queria era um copo grande da vodka mais barata com limão, mas me controlei com uma ICE para não exagerar no álcool e pagar vexame. Conheci 5 caras, mas só entreguei meu telefone a 1 (que mesmo tão simpático na hora não ligou para a "garota certinha"), por dentro insatisfeita com a minha postura já que os 3 primeiros realmente me agradaram, porém, mais uma vez os olhos que controlam o meu nome me limitaram. E quantas vezes você já se sentiu assim? Seu nome é Amanda/Letícia/ Cintia, mas quando colocam "seu nome na rua" ele muda pra puta/ sem vergonha/vaca e você passa a beber menos, transar menos, falar menos, vestir mais e depois o que te resta é mundo de futilidade onde o que realmente interessa é o nome do próximo que vai cair. Aquela falsa liberdade onde mulher tem que ser sexy, mas "se controlar", tem que ser inteligente, "mas não tanto, tem que saber chegar, "mas sem se mostrar", tem que ter atitude, "mas chegar no cara assusta". Conquistamos o mundo, mas basta pisar na bola uma só vez que lá está o passado gritando na nossa cara que "só podia ser mulher", é, só podia ser mulher, só podia ser lésbica, só podia ser preta, só podia ser um humano mesmo, né? Então hoje é sábado, eu desci do salto graças a um calo filho da puta no pé e usei uma saia que mostrava até onde eu queria, entreguei meu telefone a 3 caras (sim, só um deu certo, mas ninguém garantiu que seria perfeito, hahaha) e bebi até esquecer meu nome, o resultado? Ah, foi um puta sábado! Dancei até queimar os pés e passei o resto da noite descalça. O mundo não mudou, trocaram meu nome de Maria para vagabunda, mas eu continuo pagando minhas contas e independente o suficiente para continuar me chamando Maria

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sorte ou revês



Nem sempre podemos esperar que a vida siga o curso que planejamos, as vezes as peças são remanejadas para que se encaixem sem a nossa permissão e (sinceramente?) nem sempre os planos que fazemos são mesmo os certos. O vento passa e parece que ele arranca os frutos, mas na verdade só as frutas ocas e podres caem, assim trabalha o destino, nossos planos sem forma - que não se encaixam na árvore da vida  - despencam do nosso plano. Eu não sou de acreditar em sorte ou azar, acredito que uma ação causa uma consequência e uma consequência leva a uma nova ação, acredito que se você caiu foi por não prestar atenção, se deu certo é porque você se esforçou, se acabou é porque não tinha mais futuro, algumas coisas ainda não permitem respostas imediatas, mas um pouco de estudo em seus antecedentes talvez traga a tão esperada "resposta", colocamos expectativas demais em algo e quando não dá certo queremos denominar de "azar", mas até que ponto você se doou para chamar aquilo de "sorte"? Não desmereça seu mérito, nem retire a sua culpa, acredito no curso do destino ( que por sinal de certa forma nós também escolhemos), mas não acredito em sorte ou azar.