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quarta-feira, 18 de março de 2015

Diário de bordo do futuro


Foi fugindo de um problema que eu me tornei a solução de alguém e foi tentando me esconder que eu me tornei o "centro das atenções"! Vai entender essa vida e essas pessoas...Era para ser só um café (eu bebi um suco de limão sem açúcar pra combinar com a ocasião) e acabou terminando em um encontro com continuação. Essa viagem não poderia girar em torno de um romance, mas quem limita a vida? Quem escolhe as páginas? Eu não estava apaixonada, nem envolvida, isso bastava para me permitir um repeteco daquilo. Não era nada obrigatório e nem explicito, ele fingia não me querer no meio de tantas outras e eu fingia que o desejo dele não me afetava, era perfeito. Eu estava buscando por mudanças e bem, a antiga "Beatriz" jamais faria isso. Meus pés estavam tão grudados no chão que eu queria me permitir voar e sair um pouco da jaula. Fui conhecer uma praia mais vazia no meio daquela confusão que era Itacaré, se bem que considerando o movimento das praias que eu frequentava em Salvador, aquilo não era nada. A melhor coisa de morar em um lugar novo é que ninguém te conhece e tudo pra você é novidade, a pior é que ninguém te conhece e você para os outros é sempre novidade. As vezes eu sentia que as pessoas estavam esperando que eu pisasse na bola pelo menos uma vez, esperando que eu dormisse com o chefe - não que ele não tenha tentado-, esperando que a policia me prendesse por tráfico de drogas ou algo do tipo. A verdade é que as pessoa levam uma vida tão monótona que dependem da desgraça dos outros para movimentar as suas e no momento atual eu era a vitima perfeita.

Diário de bordo do futuro (Parte III)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Diário de bordo do futuro

Antônio: 

Eu poderia mentir e dizer que eu era o "fodão" da cidade e que terminar com a Celly não tinha me afetado, mas nada em mim era assim e eu estava querendo continuar com aquilo e ir seguindo até ver onde parava ou se nosso amor renasceria como uma fênix, mas parece que finais felizes realmente só combinam com os filmes, aquilo era um final, mas nada ali era feliz pra mim. 3 semanas depois do fim da rotina que eu queria para minha vida - ficar ao lado dela- já estava mais adaptado a sair com os caras, encarar o apartamento vazio, alguns prazeres rápidos e tão cheios de "reverberação" quanto meu apartamento! Procurava diversão no meu trabalho, entenda, eu trabalhava no hotel mais barato da cidade e nessas ultimas semanas aprendi a tirar proveito dessa situação, mas era raro aparecer alguém sozinho por aqui e por isso mesmo os prazeres eram cada vez mais rápidos e vazios. Na segunda apareceu uma mulher sozinha e achei que ela devia estar perdida ou bêbada porque sua aparência era a pior possível, não entenda mal, ela era realmente linda, mas a expressão que levava no rosto lembrava a minha depois de um porre. Quem sabe se ela estiver lúcida amanhã não resolva sair comigo? Quem sabe? Não sei...já estou tão cansado de tudo que é efêmero, o mundo sofre com a falta de amor porque a gente se acostuma a não querer amar. Amar é bom, amar é revigorante quando não termina em uísque, quando não termina no meio dos seus planos com a pessoa, quando termina no fim do copo ou no corpo da primeira prostituta que se oferece pra você depois de uns porres. Amar é...amar deve ser alguma coisa que não envolva estar bêbado e fodido.

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  Diário de bordo do futuro (Parte II)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Diário de bordo do futuro


Você quer ser perseguida por um cara? Tente livrar-se dele! Isso eu aprendi aos 15 anos, mas nada que mais 10 anos de estrada não me confirmassem. Seguia os dias como se fossem o primeiro e eu nunca deixava de ser novidade para os homens e para as mulheres, todos queriam saber porque eu cheguei sozinha, sem muita bagagem. Diziam que eu era bonita demais para trabalhar com o pessoal da limpeza, contudo, eu não queria aparecer, não queria que reparassem em mim ou que me reconhecessem do jornal. Ligava para casa de 3 em 3 dias e já tinha até amigos, aos poucos eu estava reconstruindo o prédio que havia sido derrubado pela morte do meu pequeno. Ninguém queria confiar completamente em mim porque eu falava pouco sobre o passado e menos ainda sobre o futuro, o presente era meu ápice- tudo bem, não estava procurando pela confiança de ninguém já que não confiaria neles também- mas alguns homens são a peça perfeita de um quebra cabeça que não lhe apetece, alguns tem senso de problema, rastro de perdição, querem fazer parte de uma história que não é pra ser contada e foi um desses que resolveu descobrir sobre mim, foi um desses que resolveu me chamar para um café e eu? Eu odeio café, mas diga "não" a um homem decido em te ter e você se tornará sua obsessão secreta ou sua inimiga mortal e eu não queria ser nem um, nem outro. Aceitei beber o café, mas a vida é sempre novidade até quando vira museu e você só encontra um problema quando tenta fugir de outro.

                                                                                                                                                    -   Diário de bordo do futuro (Parte II)
Diário de bordo do futuro (Parte I)

sábado, 17 de janeiro de 2015

Diário de bordo do futuro



Acordei aquela manhã com o coração na mão e no lugar dele o que batia era um desejo: nunca mais voltar. Acho que todos passaremos por algo definitivo na vida e essa definição fará com que a gente mude totalmente a direção. "Nunca mais voltar" era o que eu repetia na frente do espelho, mais para me lembrar porque as minhas malas estevam prontas do que para confirmar a sentença. O fato é que a morte geralmente é o que faz a gente refletir, as vezes perder alguém é o choque que a gente precisa para acordar e perceber que uma vida estável não significa aceitar a "mesmice" dos dias e era isso que eu estava fazendo: aceitando a rotina. Ainda acreditava em intuição e a minha estava gritando por um caminho diferente, entrei naquele carro com a certeza de seguir, nada para perder, descobertas a fazer e meu filho em um caixão. Certamente meus pais aprenderiam a cuidar da loja sem mim, estava na hora de parar de servir. Cheguei ao novo, os olhos me cercando indicavam que uma novata era a novidade que a cidade pequena precisava, sem nomes e sem sentimentos dessa vez - só eu, meu carro, meus vícios e todo um passado para esquecer.




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